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PARA QUE SEJAM UM: BREVE PANORAMA DO MOVIMENTO ECUMÊNICO


Alderi Souza de Matos


Desde o início do cristianismo, a preocupação com a unidade tem sido uma constante. O Antigo Testamento já apresenta essa ênfase (e.g., Sl 133.1), mas é o Novo Testamento que dá um testemunho mais amplo desse interesse, a começar da oração de Jesus em favor de seus discípulos (Jo 17.11, 20-23). O apóstolo Paulo também aponta para a unidade dos cristãos em textos como 1 Co 1.10; 12.12-27; Ef 2.14,16; 4.3-6; Fp 1.27; 2.2. Nos escritos apostólicos, o conjunto dos cristãos é identificado como “a igreja”. Essa única comunidade é descrita como um corpo, rebanho, edifício ou família, figuras que transmitem as idéias de união, comunhão, solidariedade.


1. Unidade e diversidade
Acontece que, quase desde o início, houve manifestações divergentes da fé cristã. O Novo Testamento já aponta para algumas delas, em especial os judaizantes e os docetistas. O número dessas variantes só tendeu a aumentar com o passar do tempo. Assim, no início do segundo século a preocupação com a unidade e a ortodoxia tornou-se intensa e esse fato conduziu à crescente institucionalização da igreja, com os seus bispos, credo e cânon. Isso pode ser visto claramente nas cartas de Inácio de Antioquia.


A complexidade das Escrituras, com a possibilidade de diferentes interpretações, e a igual complexidade cultural, religiosa e filosófica do ambiente em que se inseriu o cristianismo, contribuíram para a crescente diversidade teológica. Surgiram grupos como os gnósticos, marcionitas, montanistas e outros, todos taxados de heréticos e rejeitados pela igreja majoritária ou “católica”. Nos séculos quarto e quinto ocorreu o cisma donatista e surgiram novas dissidências duradouras, como os nestorianos e os monofisitas.


2. A experiência medieval
Na Idade Média, surgiu em sua plenitude a Igreja Católica, fortemente institucionalizada, hierárquica e centralizada, aliada do Estado. Ocorreu aquilo que os historiadores denominam “cristandade”, uma situação de completa uniformidade religiosa em que a igreja exercia forte influência sobre todos os setores da sociedade. A unidade se tornou um dos valores supremos, sendo a igreja entendida como “una, santa, católica e apostólica”.


Em decorrência disso, intensificou-se uma tendência preocupante – a preservação da unidade a todo custo, mesmo que com o emprego da força. Isso já havia ocorrido com os donatistas no quinto século e agora também se aplicou a outros grupos heréticos, como os cátaros ou albigenses, suprimidos mediante uma série de cruzadas. No entanto, não foi possível evitar duas grandes cisões da cristandade, uma no meio e outra no final desse período: a separação definitiva entre as igrejas oriental e ocidental e a ocorrência da reforma protestante.


3. Primórdios do movimento ecumênico
Sendo o protestantismo o mais fracionado dos grandes grupos cristãos, foi no seu seio que surgiram as primeiras manifestações do que hoje se entende por ecumenismo (do grego oikoumene = “o mundo habitado”; ver Mt 24.14; Lc 2.1; At 17.6), isto é, o esforço construtivo pela aproximação e união dos cristãos. Os reformadores já estavam conscientes dessa necessidade e tomaram algumas iniciativas nessa direção, como o Colóquio de Marburg (1529), entre luteranos e reformados. Houve também algumas tentativas de entendimento entre católicos e protestantes, como os Colóquios de Ratisbona (1541), na Alemanha, e de Poissy (1561), na França. Todavia, a Contra-Reforma e as contínuas cisões protestantes tornaram a unidade cristã um ideal cada vez mais distante.


O grande esforço missionário protestante do século 19 deu origem ao moderno movimento ecumênico. As missões denominacionais que atuavam no terceiro mundo perceberam a dificuldade de pregar o evangelho e ao mesmo tempo justificar uma igreja dividida. Com isso surgiram as primeiras conferências missionárias, realizadas na Inglaterra e nos Estados Unidos durante a segunda metade daquele século. Da aproximação entre as missões nos campos estrangeiros surgiu a idéia do diálogo, colaboração e possível união das próprias igrejas nos países de origem.


4. A Conferência de Edimburgo
No século 19 foram criadas várias organizações cooperativas interdenominacionais, tais como a Associação Cristã de Moços (1844), a Aliança Evangélica (1846) e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos (1895). Todavia, o evento que contribuiu de modo mais direto para o surgimento do movimento ecumênico foi a Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo, na Escócia, em 1910. Essa conferência levou em 1921 à criação do Concílio Missionário Internacional. Dois líderes importantes desse período foram John R. Mott e J. H. Oldham. Mais tarde haveria de destacar-se o arcebispo William Temple.


Uma das primeiras iniciativas ecumências foi o movimento de “Vida e Obra”, que buscou promover a cooperação das igrejas na área social. Sua primeira conferência, realizada em Estocolmo em 1925, foi convocada pelo arcebispo Nathan Söderblom. A Conferência de Edimburgo evitou discutir as diferenças teológicas entre as igrejas. Sob a liderança do bispo episcopal americano Charles H. Brent, surgiu o movimento de “Fé e Ordem”, voltado para a união orgânica das igrejas e a busca de posições teológicas comuns. A primeira conferência desse movimento realizou-se em Lausanne, em 1927. Após a II Guerra Mundial, esses dois movimentos se fundiram dando origem ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), instalado em 1948 em Amsterdã.


5. O Conselho Mundial de Igrejas
A reunião de instalação do CMI contou com a presença de 351 delegados procedentes de 147 denominações em 44 países. Foi a mais abrangente assembléia cristã reunida até então. A base confessional afirma que o CMI “é uma fraternidade de igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador de acordo com as Escrituras e que, portanto, buscam cumprir em conjunto a sua vocação comum para a glória do único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo”.


A principal autoridade reside nas assembléias de representantes oficiais nomeados pelas igrejas filiadas. Até o momento realizaram-se nove: Amsterdã (1948), Evanston (1954), Nova Delhi (1961), Uppsala (1968), Nairobi (1975), Vancouver (1983), Canberra (1991), Harare (1998) e Porto Alegre (2006). A sede está localizada em Genebra e o principal cargo executivo é o de secretário geral. Seus detentores desde a fundação foram W. A. Visser ‘t Hooft (1948-1966), Eugene Carson Blake (1966-72), Philip A. Potter (1972-84) e Emílio Castro (1985-1993), Konrad Raiser (1993-2003), Samuel Kobia.


Em 1961, o Concílio Missionário Internacional uniu-se ao CMI, tornando-se a sua Divisão de Missão Mundial e Evangelismo. A atual estrutura do CMI é composta de três unidades: Fé e Testemunho, Justiça e Serviço, Educação e Renovação. Um órgão importante é o Instituto Ecumênico de Bossey, na França, fundado em 1946. Além do CMI, muitos outros organismos mundiais, nacionais e regionais também têm se voltado para a promoção do ideal ecumênico. Os evangélicos, por exemplo, têm a sua Fraternidade Evangélica Mundial.


O CMI representa a maior parte das igrejas protestantes históricas e das igrejas ortodoxas. Atualmente, são 348 igrejas em mais de 120 países. Dele não participam a maior parte dos evangélicos e dos pentecostais, sob a alegação de falta de verdadeiro envolvimento missionário e afastamento do cristianismo bíblico. A Igreja Católica Romana também não se filiou, embora venha participando do movimento mais amplo desde o pontificado de João XXIII, que criou o Secretariado para a Promoção da Unidade Cristã (1960) e convocou o Concílio Vaticano II (1962-65), no qual se aprovou o importante Decreto sobre o Ecumenismo.


Conclusão
O movimento ecumênico está deixando um legado contraditório. Por um lado, representa um esforço sério de busca de diálogo e cooperação entre grupos cristãos muito diversos; tem dado testemunho da fé cristã num mundo dilacerado por divisões e conflitos; tem enfrentado alguns dos problemas mais prementes e angustiosos da atualidade. Por outro lado, sua agenda liberal e inclusivista o tem impelido para o relativismo teológico, para crescentes concessões a certos valores da sociedade secular, para a progressiva diluição da identidade cristã frente a outros sistemas religiosos. O verdadeiro ecumenismo será aquele que observar o lema paulino: “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.





 
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