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A atividade literária dos presbiterianos no Brasil

 

Alderi Souza de Matos*

 

RESUMO

A Reforma Protestante ocorreu na esteira da invenção da imprensa e da enorme produção editorial suscitada por esse avanço tecnológico. Os reformadores souberam utilizar esse meio eficaz para divulgar suas idéias junto aos seus correligionários e ao público mais amplo. Seu exemplo criou uma tradição de valorização da literatura que se transmitiu aos seus sucessores. Os presbiterianos brasileiros, influenciados por essa mentalidade, investiram desde o início na publicação de literatura como um meio de divulgação do seu movimento e fixação das suas propostas. Este artigo procura traçar um panorama da produção literária desse grupo no Brasil, subdividindo-a em três áreas gerais: jornais, revistas e livros. O artigo conclui com uma análise do significado e das limitações desse esforço.

 

PALAVRAS-CHAVE

Presbiterianos brasileiros; Literatura; Publicações; Jornais; Revistas; Livros.

 

INTRODUÇÃO

O protestantismo surgiu no contexto do grande aumento de publicações que se seguiu à invenção da imprensa. Desde o início, os protestantes deram máxima atenção à palavra impressa como o recurso mais eficaz para a transmissão das suas idéias e a defesa dos seus princípios. Os reformadores escreveram profusamente e iniciaram uma tradição literária que se tornou um dos marcos do novo movimento. Os reformados suíços foram particularmente insistentes no uso desse poderoso instrumento, a partir do exemplo do próprio João Calvino. O reformador de Genebra era um homem de letras e deixou uma produção literária inigualável, tanto em termos da quantidade quanto da qualidade dos seus escritos. A ênfase na literatura pelos primeiros reformados, bem como de um elemento ainda mais fundamental – a insistência no cultivo intelectual e acadêmico – foram valores que se transmitiram a todos os lugares em que se difundiram as igrejas da Reforma Suíça.

No Brasil, essa preocupação se manifestou desde a chegada dos primeiros missionários. A partir da década de 1860, os presbiterianos publicaram jornais, livros e opúsculos de conteúdo religioso. Também estabeleceram livrarias ou depósitos de livros junto às igrejas. Alguns missionários, como o Rev. Emanuel Vanorden, se dedicaram de modo especial a publicar e distribuir literatura cristã. Mais tarde, alguns pastores nacionais se destacaram como autores de livros didáticos em diferentes áreas. Já no século 20 surgiram publicações que iam além de um interesse puramente religioso, para aventurar-se na área cultural e intelectual mais ampla. Finalmente, alguns pastores e intelectuais presbiterianos foram autores de obras literárias no sentido estrito, tais como ensaios, contos e romances. Inicialmente toda essa atividade literária teve os objetivos de difundir o ideário protestante, evangelizar, instruir os fiéis e polemizar com os adversários. Mais tarde os interesses se tornaram mais diversificados, visando interagir com a cultura e dar uma contribuição a ela. Das publicações mencionadas neste artigo, algumas resultaram de iniciativas particulares e outras, de ações oficiais das missões norte-americanas e dos concílios superiores da Igreja Presbiteriana.

O objetivo deste artigo é fazer uma exploração introdutória desse campo ainda pouco pesquisado pelos estudiosos. A abordagem é primordialmente histórica e tem em vista traçar um panorama das principais atividades e contribuições nesse campo. Serão apontados os diferentes tipos de materiais publicados pelos presbiterianos, os personagens mais importantes envolvidos nesse esforço e as pistas que essa atividade oferece acerca da mentalidade dos presbiterianos brasileiros. Visando delimitar um tema tão vasto, será dada prioridade aos autores e publicações que tenham tido ligações, ainda que temporariamente, com a Igreja Presbiteriana do Brasil, até meados do século 20.

1. JORNAIS

A obra presbiteriana no Brasil teve início em agosto de 1859, com a chegada do pioneiro Ashbel Green Simonton. Ele gastou os primeiros anos no aprendizado do idioma e em esforços evangelísticos iniciais, que culminaram na organização da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro no início de 1862. Seguiu-se uma viagem de pouco mais de um ano aos Estados Unidos e o casamento com a jovem Helen Murdoch. O ano de 1864 revelou-se dramático para o pioneiro: no primeiro semestre, a expectativa de se tornar pai; no final de junho, a perda da esposa poucos dias após o nascimento da filhinha; em fins de outubro, quando a dor do luto ainda era intensa, a grata experiência da profissão de fé do ex-sacerdote José Manoel da Conceição.

1.1 Imprensa Evangélica

Foi nesse contexto que Simonton, auxiliado pelo colega e cunhado Alexander Latimer Blackford e pelo novo correligionário Conceição, lançou o jornal Imprensa Evangélica. Até onde se sabe, a Imprensa, que circulou durante 28 anos (1864-1892), foi o primeiro periódico protestante do Brasil, pelo menos o primeiro em língua portuguesa. Os originais do número inicial foram levados à Tipografia Universal dos Irmãos Laemmert no dia 25 de outubro de 1864, sendo publicados em 5 de novembro, com uma tiragem de 450 exemplares. Devido a ameaças sofridas por esses editores protestantes, a partir do segundo número o jornal passou a ser impresso pela Tipografia Perseverança. Projetado inicialmente como um semanário, acabou sendo publicado duas vezes por mês. Simonton registrou em seu diário no dia 26 de outubro:

Ontem de manhã, Santos Neves e Quintana vieram até nossa casa receber os originais do primeiro número da Imprensa Evangélica, o jornal semanal que resolvemos publicar. Sinto mais a responsabilidade deste passo que de qualquer outra coisa que antes intentei. Primeiro nos ajoelhamos em oração e entregamos essa iniciativa e nós mesmos à direção divina. O caminho parece estar preparado e só nos resta avançar com ousadia.[1]

O jornal era subvencionado pela missão norte-americana, sediada em Nova York. Em outubro de 1879 a redação foi transferida para São Paulo e os jovens pastores nacionais passaram a colaborar com artigos assinados. Entre eles estavam Zacarias de Miranda, Eduardo Carlos Pereira, Antônio Pedro de Cerqueira Leite e João Ribeiro de Carvalho Braga. O periódico voltou para o Rio de Janeiro em outubro de 1889 e novamente para São Paulo em maio de 1891, ali encerrando a sua carreira no ano seguinte.[2] Seu conteúdo era rico e variado: exposição de doutrinas e temas bíblicos, séries de matérias (história da igreja, documentos da fé reformada), biografias, ficção evangélica, noticiário religioso internacional e intermináveis polêmicas com o catolicismo romano (especialmente com o jornal O Apóstolo, do bispado do Rio de Janeiro). Apresentava poucas, porém valiosas informações sobre eventos internos da igreja presbiteriana. Denunciava perseguições e apoiava a causa da liberdade religiosa. Em suma, foi o grande órgão do protestantismo brasileiro nos seus primórdios. Segundo Boanerges Ribeiro, o jornal colocou os presbiterianos em contato com as elites nacionais e ao mesmo tempo foi o grande integrador da jovem denominação religiosa.[3] Numa época em que havia poucos pregadores, principalmente no interior, o periódico instruía, edificava e incentivava as pequenas comunidades. Era comum, em muitos lugares isolados, o dirigente leigo ler para a congregação os sermões e estudos da Imprensa durante as reuniões. Em Ubatuba, a igreja nasceu como resultado da sua leitura, antes da chegada dos primeiros pregadores.[4]

1.2 O Púlpito Evangélico

O segundo periódico presbiteriano do Brasil foi O Púlpito Evangélico, fundado pelo Rev. Emanuel Vanorden, um missionário de biografia curiosa e personalidade controvertida. O Púlpito inicialmente foi publicado em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, tendo circulado durante apenas dois anos, de janeiro de 1874 a dezembro de 1875.[5] Cada número começava com um sermão escrito por algum missionário da Igreja do Norte, da Igreja do Sul ou pastor nacional. O jornal publicou todos os sermões que foram pregados na inauguração da casa de cultos do Rio de Janeiro, o primeiro templo presbiteriano no Brasil, em março de 1874. Após o sermão vinham notícias das igrejas, algo que faltava na Imprensa Evangélica. Em 1888, o Rev. Edward Lane e seus colegas de Campinas criaram um periódico com o mesmo nome que haveria de ter vida mais longa, circulando até 1900. Foi o primeiro jornal da Missão de Nashville, da Igreja do Sul. A redação posteriormente foi transferida para Lavras e para o Rio de Janeiro. Além de sermões, publicava apontamentos históricos, esboços homiléticos, exposições bíblicas, comentários, notícias religiosas e ilustrações.[6] Em 1901, passou a chamar-se O Presbiteriano, sendo publicado pela Comissão Sinodal de Publicações e incluindo as lições internacionais da escola dominical. Seu redator era o Rev. Horace S. Allyn.

1.3 O Pregador Cristão

Em 1876, o Rev. Vanorden se estabeleceu na cidade de Rio Grande, na província do Rio Grande do Sul. Montou uma tipografia e uma livraria, e iniciou uma congregação. No ano seguinte, fundou o jornal O Pregador Cristão, que publicou por dez anos. Seguiu o estilo da Imprensa Evangélica, apresentando estudos sobre temas éticos e religiosos, polêmicas com a igreja romana e outros grupos, notícias sobre a obra evangélica, análise de temas políticos e sociais (intolerância religiosa, casamento de acatólicos, escravidão), notas sobre outros periódicos e sobre a criação de organismos evangélicos, notícias locais e anúncios da livraria evangélica do editor. Avaliando esse periódico, Boanerges Ribeiro concluiu: “É ágil, combativo. Participa das lutas pela reforma da sociedade brasileira. Parece-me, nisso, mais comprometido que a Imprensa, sempre contida e às vezes um tanto distante”.[7]

1.4 O Evangelista

Outro antigo e apreciado periódico foi O Evangelista, fundado pelo Rev. John Boyle na pequena vila de Bagagem (Estrela do Sul), no Triângulo Mineiro, que circulou de janeiro de 1889 a abril de 1893. Boyle foi auxiliado pelos primos Tertuliano Goulart e Querubino dos Santos, sendo que este último reviveu em julho de 1900 o combativo jornal na cidade de Araguari. Além de material bíblico, doutrinário e evangelístico, apresentava, como era usual, muitos textos de controvérsia religiosa – por exemplo, as “Cartas ao bispo de Goiás”, respondendo a acusações contidas no folheto antiprotestante “O Neófito”, publicado no Recife em 1879. O pequeno jornal foi ressuscitado em fevereiro de 1913 pelo Rev. Alva Hardie, em Descalvado (SP), sendo mantido durante quase todo o ministério desse incansável obreiro no Brasil. Chegou a ter uma tiragem de 12 mil exemplares e era distribuído gratuitamente em todo o país. O Rev. Hardie continuou a editá-lo mesmo em outros lugares nos quais trabalhou, enviando-o para Descalvado, onde o Sr. Sebastião Lacerda o imprimia numa tipografia comprada para esse fim e o distribuía.[8]

1.5 Salvação de Graça e Norte Evangélico

O primeiro periódico presbiteriano do Nordeste foi Salvação de Graça, do Rev. John Rockwell Smith, impresso em Lisboa e publicado em Recife a partir de outubro de 1875. Continha somente matérias de natureza doutrinária, apresentadas de modo pouco atraente, o que deve ter contribuído para a sua vida efêmera de apenas um ano. Smith era auxiliado pelo Rev. William Le Conte, cuja retirada e falecimento também contribuíram para a suspensão do periódico.[9] Vinte anos mais tarde, em Natal, no Rio Grande do Norte, surgiu um periódico muito mais duradouro e influente – O Século. Começou em maio de 1895, tendo como redator o Rev. William Calvin Porter. Mais tarde, tornou-se o órgão oficial do Presbitério de Pernambuco, sob a direção do Rev. Jerônimo Gueiros. Em fevereiro de 1909, passou a ser publicado em Garanhuns, tendo o nome mudado para Norte Evangélico. A partir de 1911, foi editado pelo Rev. William M. Thompson, que também fundou e editou o jornal Expositor, semelhante ao Púlpito Evangélico, voltado para a igreja e para a escola dominical.

1.6 Revista das Missões Nacionais

Apesar do nome, a Revista das Missões Nacionais não era uma revista, e sim um jornal, e foi lançada no dia 31 de janeiro de 1887 na cidade de Campanha, sul de Minas Gerais. Resultou do “Plano de Missões Nacionais”, idealizado no ano anterior pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, que visava despertar nas igrejas o senso de responsabilidade pela evangelização através do sustento de obreiros nacionais, contribuindo assim para a maior autonomia da igreja presbiteriana. O periódico depois foi para São Paulo e mudou de formato e de direção muitas vezes. Foi o órgão das finanças do presbiterianismo, tendo existido por mais de 30 anos. Trazia muitas informações sobre as atividades das igrejas e obreiros, tendo assim elevado valor histórico. Seu redator e principal colaborador por muitos anos foi o próprio Rev. Eduardo Carlos Pereira. Outro dinâmico redator foi o Rev. Zacarias de Miranda, que no cisma de 1903 defendeu vigorosamente os interesses do Sínodo contra os independentes.[10]

1.7 O Estandarte e O Puritano

Dois importantíssimos periódicos presbiterianos, ambos surgidos na última década do século 19, resultaram de motivações muito diferentes dos anteriores, a saber, problemas internos vividos pelo presbiterianismo nacional. No início de 1893, o Rev. Eduardo Carlos Pereira, o Rev. Bento Ferraz e o presbítero Remígio de Cerqueira Leite fundaram O Estandarte, que substituiu a Imprensa Evangélica, extinta em 2 de julho do ano anterior. Essa iniciativa era parte do “Plano de Ação” do Rev. Eduardo, que tinha em mente a progressiva nacionalização da obra presbiteriana no Brasil. Com o passar do tempo, o jornal passou a refletir os conflitos eclesiásticos da época, especialmente a “questão maçônica”, suscitada por uma série de artigos do Dr. Nicolau Soares do Couto Esher, publicada a partir de dezembro de 1897. Em 1903, O Estandarte se tornou o órgão oficial da nova denominação que surgia, a Igreja Presbiteriana Independente, e assim permanece até hoje.

Um ano e meio após o início da questão maçônica, mais precisamente no dia 8 de junho de 1899, foi lançado O Puritano, fundado pelo Rev. Álvaro Reis ao lado dos colegas Antônio Trajano, Erasmo Braga e Franklin do Nascimento. O jornal surgiu no momento em que se agravava a crise da denominação e muitos líderes entendiam que o Estandarte já não refletia o pensamento de grande parte da igreja. Por 60 anos, tornou-se o principal órgão do presbiterianismo brasileiro e uma importantíssima fonte de informações sobre a marcha da Igreja Presbiteriana do Brasil nesse longo período. Em 1958, fundiu-se com o Norte Evangélico para formar o atual Brasil Presbiteriano.[11] Finalmente, não se pode deixar de mencionar o controvertido jornal Mocidade, fundado em 1944 por Paulo Costa Lenz César para ser o periódico da juventude do Presbitério do Rio de Janeiro. Dois anos depois, tornou-se o órgão da Confederação Nacional da Mocidade, até a extinção dessa entidade em 1960.

2. REVISTAS

Na primeira metade do século 20, os presbiterianos utilizaram amplamente outro tipo de publicação, as revistas, que possuíam objetivos intelectuais e literários mais ambiciosos que os jornais, procurando atingir o público mais culto das igrejas e da sociedade em geral.

2.1 Revista de Cultura Religiosa

Esse importante periódico foi lançado em julho de 1921, em Campinas, sendo publicado trimestralmente sob a direção dos Revs. Epaminondas Melo do Amaral e Miguel Rizzo Júnior. Teve sua redação inicialmente em Campinas e posteriormente em São Paulo, e sua publicação se estendeu até 1926. Possuía as seguintes seções: editoriais e comentários sobre o momento social e religioso, a cargo dos diretores; estudos diversos, abordando teologia e religião, filosofia, história, literatura e ciência, sob o aspecto religioso; exegética, voltada para a história, crítica e interpretação da Bíblia (inicialmente a cargo de Otoniel Mota); obra evangélica ou ação cristã, tratando de problemas do ministério, agências e métodos de trabalho; púlpito brasileiro, com sermões, meditações, esboços e ilustrações; revista de revistas ou resenha, apresentando reflexos da cultura internacional (inicialmente sob a responsabilidade de James Porter Smith) e bibliografia, magistralmente redigida por Erasmo Braga, contendo crítica, recomendação e notícias de livros.

Além dos já citados, outros colaboradores das duas denominações presbiterianas foram os seguintes em ordem alfabética: Alfredo Borges Teixeira, Antônio Teixeira Gueiros, Armando Ferreira, Donald C. McLaren, Eliézer dos Santos Saraiva, Ernesto Thenn de Barros, Galdino Moreira, Herculano de Gouvêa, Herculano de Gouvêa Jr., Jorge Bertolaso Stella, José Carlos Nogueira, Júlio Camargo Nogueira, Júlio Sanguinetti, Laércio Caldeira de Andrada, Ludgero Braga, Pascoal Luiz Pitta, Salomão Ferraz, Sátilas do Amaral Camargo, Seth Ferraz, Vicente Themudo Lessa, William C. Kerr e Zacarias de Miranda.

2.2 Lucerna

Em julho de 1929, um grupo de pastores dos dois ramos do presbiterianismo lançou o periódico Lucerna, apresentado como uma “revista de interesse religioso e social”. Era publicada mensalmente em São Paulo e serviu como uma espécie de sucessora da Revista de Cultura Religiosa, extinta três anos antes. Seu diretor era Epaminondas Melo do Amaral e a “Junta Publicadora Lucerna” também incluía Otoniel Mota, Salomão Ferraz e Miguel Rizzo Júnior. Apresentava notas editoriais de interesse religioso e social, meditações úteis para o púlpito, notícias de idéias e fatos do mundo religioso, apreciação de publicações recentes e notícias regulares da obra de cooperação eclesiástica. Um dos seus principais colaboradores foi o Rev. Erasmo de Carvalho Braga, incansável líder da cooperação evangélica no Brasil.

2.3 Sacra Lux

Essa revista foi lançada em 1935 e era publicada sem periodicidade fixa. Pertencia ao jornal O Puritano, tendo como diretor o Rev. Galdino Moreira. Definia-se como uma revista de cultura espiritual que refletia o pensamento evangélico brasileiro, apresentando sermões, teses, comentários históricos, literatura, biografias, ilustrações e assuntos vários. Teve entre seus colaboradores os seguintes pastores e presbíteros: Antônio de Campos Gonçalves, Antônio Marques, Derly de Azevedo Chaves, Domingos Ribeiro, Dr. Flamínio Fávero, Galdino Moreira, Jerônimo Gueiros, Jorge Goulart, José de Souza Marques, Júlio Camargo Nogueira, Dr. Lisânias de Cerqueira Leite, Matatias Gomes dos Santos e Otoniel Mota.

2.4 Fé e Vida–Unitas

Essa influente revista surgiu em janeiro de 1939 com o título Fé e Vida. Foi a primeira publicação do Instituto de Cultura Religiosa, fundado no mesmo ano pelo Rev. Miguel Rizzo Júnior, pastor da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo. Além de Miguel Rizzo, os principais colaboradores no primeiro ano de circulação foram Amantino Adorno Vassão, Flamínio Fávero, Jorge Goulart, José Borges dos Santos Jr., Júlio Camargo Nogueira e Juvenal Ricardo Meyer. Em janeiro de 1946 a revista passou a denominar-se Unitas, sendo seu diretor presidente o Rev. Rizzo e diretor de redação Paulo Pernasetti. Inicialmente apresentava-se como um “mensário de cultura e atualidade”, mas posteriormente passou a ser o órgão oficial do Instituto de Cultura Religiosa, tendo circulado até 1962. Nos primeiros tempos, suas diversas seções eram, entre outras, as seguintes: Notas e comentários, O momento internacional, Problemas sociais, Miscelânea, Idéias e conceitos, Focalizando, Poligrafia, Literatura, Fé e vida. Tendo circulado por muitos anos, teve um enorme número de colaboradores.

2.5 Revista Teológica do Seminário Presbiteriano do Sul

Esta publicação surgiu em novembro de 1939, na cidade de Campinas, com o título de Revista da Faculdade de Teologia da Igreja Cristã Presbiteriana do Brasil, sendo seu diretor o Rev. William Cleary Kerr. Uma nova fase foi iniciada no primeiro semestre de 1952, com a designação Revista Teológica do Seminário Presbiteriano do Sul. Era dirigida pelo Rev. Filipe Landes, reitor do Seminário, sendo administrada pela Casa Editora Presbiteriana. Entre os seus colaboradores estavam os Revs. Américo J. Ribeiro, Jorge Goulart, Jorge César Mota,[12] Júlio Andrade Ferreira, Herculano de Gouvêa Jr., William (Guilherme) Kerr, Nelson Bonilha, Filipe Landes, Samuel Falcão, Ismael Andrade, Waldyr Carvalho Luz, Ari Barbosa Martins, José Borges dos Santos Jr., Frank F. Baker e muitos outros. Foi a precursora da atual Revista Teológica do Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, que inicialmente teve como redator-chefe o Rev. Prof. Américo J. Ribeiro e redatores-auxiliares os Revs. Jorge Thompson Goulart e M. Richard Shaull. Seu Conselho Editorial era formado por Júlio Andrade Ferreira, Waldyr Carvalho Luz, Frank F. Baker, Herculano de Gouvêa Jr., Samuel Martins Barbosa e Eliseu Narciso.

3. LIVROS

Em 16 de julho de 1867, o Rev. Ashbel Green Simonton leu ao Presbitério do Rio de Janeiro um texto intitulado “Os meios necessários e próprios para plantar o reino de Jesus Cristo no Brasil”. O pioneiro mencionou, entre outras maneiras de pregar o evangelho, a disseminação da Bíblia e de livros e folhetos religiosos. Deste modo, pode-se dar notícias de Jesus a muitos que não querem assistir ao culto público. Nesta época a imprensa é a arma poderosa para o bem, ou para o mal. Devemos trabalhar para que se faça e se propague em toda a parte uma literatura religiosa em que se possa beber a pura verdade ensinada na Bíblia.[13]

Nas décadas seguintes, essa recomendação foi seguida fielmente pelos sucessores de Simonton, surgindo um grande número de publicações na forma de livros, opúsculos e panfletos. Todavia, ironicamente, não obstante toda a sua ênfase na literatura, os presbiterianos, ao contrário dos metodistas e dos batistas, demoraram a criar a sua própria editora denominacional.[14]

3.1 Traduções

Nos que diz respeito aos livros, inicialmente os presbiterianos preferiram simplesmente traduzir obras que consideravam relevantes, como, por exemplo: (a) histórias da igreja, como o compêndio de James Wharey; a História da Reforma do Século XVI, de J. H. Merle D’Aubigné, cujos dois primeiros volumes foram traduzidos por Júlio Ribeiro; e a volumosa História dos protestantes na França, de G.-A. de Félice e F. Bonifas; (b) teologias sistemáticas e estudos doutrinários, como Esboços de teologia, de Archibald Alexander Hodge; Compêndio de doutrina, de Francis L. Patton; e A igreja, de William Binney[15]; (c) estudos bíblicos, como o Comentário do Evangelho de São Marcos (J. C. Ryle) e Princípios de interpretação da Bíblia (E. P. Barrows); (d) documentos das igrejas reformadas, como a Confissão de Fé, o Breve Catecismo e o Diretório do Culto de Westminster, bem como o Livro de Ordem da Igreja do Sul (PCUS). O famoso Dicionário da Bíblia de John D. Davis, traduzido pelo Rev. João Ribeiro de Carvalho Braga e sua esposa Alexandrina, foi publicado em 1928 pelo Centro Brasileiro de Publicidade, no Rio de Janeiro.

Como foi apontado, o Rev. Emanuel Vanorden teve destacada atuação na área editorial. Além de publicar diversos periódicos (O Púlpito Evangélico, O Pregador Cristão, Anuário Evangélico, A Aurora, A Opinião), lançou obras como A sociedade de Jesus (E. Pressensé), Os decretos do Vaticano (W. E. Gladstone), Filosofia do plano de salvação, O general Gordon e O presidente Garfield. Também publicou a conhecida obra Do futuro dos povos católicos, do autor belga Émile de Laveleye, muito utilizada pelos protestantes com fins polêmicos, bem como livros infantis ilustrados e a mencionada História dos protestantes na França.[16]

Outro missionário que deu grande contribuição na área da literatura foi John M. Kyle.[17] Além de traduzir ou promover a tradução de algumas obras referidas há pouco, fez diversos trabalhos de compilação, tais como Raios de luz, Vultos e doutrinas, Doutrina da Escritura acerca do batismo e Ensaios religiosos sobre assuntos bíblicos e históricos (Lisboa, 1901). O Rev. Modesto Carvalhosa, um profundo conhecedor da língua inglesa, traduziu as obras de Patton, Binney e Ryle mencionadas acima, bem como o Livro de Ordem e a obra A Bíblia emprestada.

Também se fez ampla divulgação de um gênero específico – obras populares de ficção evangélica –, que cumpriam a função de identificar os novos crentes com os mártires cristãos da igreja antiga e do período da Reforma Protestante.[18] Muitos desses livros e panfletos eram publicados pela célebre editora da rua das Janelas Verdes, em Lisboa, patrocinada pelos presbiterianos escoceses. Alguns exemplos são: Gláucia, a escrava grega; Às feras; A aurora do evangelho na Britânia; A donzela valdense; Os irmãos espanhóis ou a descoberta do Eldorado; O velho manuscrito; e Anais de um antigo castelo (traduzido por Zacarias de Miranda). Outros desafios enfrentados pelos evangélicos são abordados em obras como A herdade de Bárrios, A primeira oração de Jéssica, Julião e a Bíblia, Josefa e a virgem. Obviamente, em muitos desses escritos há um fortíssimo conteúdo polêmico contra o catolicismo. Uma obra de enorme impacto foi Em seus passos que faria Jesus?, do ministro congregacional norte-americano Charles N. Sheldon, publicada nos Estados Unidos em 1897.[19] Esse livro, que popularizou os conceitos do chamado “evangelho social”, foi traduzido e publicado em 1902 pelo Rev. José Maurício Higgins.

Outra categoria de publicações traduzidas foram as inevitáveis obras de controvérsia religiosa. Alguns exemplos são os seguintes: Revelações do século III: o papado e o Novo Testamento à luz das descobertas, de Parke P. Flournoy (traduzido por João Ribeiro de Carvalho Braga e Erasmo Braga); Inovações do romanismo, de C. Hastings Collette (traduzido pelo ex-padre Guilherme Dias); Noites com os romanistas, de M. H. Seymour (traduzido por Modesto Carvalhosa); e o referido Do futuro dos povos católicos (traduzido pelo Dr. Miguel Vieira Ferreira).[20]

3.2 Obras escritas no Brasil

Desde o início, os presbiterianos brasileiros se dedicaram a escrever livros, opúsculos e panfletos, impressos no país ou no exterior. Alguns exemplos antigos são Sentença de excomunhão e sua resposta, de José Manoel da Conceição, publicada no Rio de Janeiro em 1867, e Sermões escolhidos, de Ashbel G. Simonton, coligidos pelo Rev. Blackford e publicados em Nova York em 1869.[21] Um empreendimento valioso, que serviu de estímulo para muitos escritores da jovem igreja, foi a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, idealizada pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira. De 1884 a 1897, essa entidade publicou dezessete opúsculos de controvérsia e evangelização, nove dos quais escritos pelo próprio Rev. Eduardo. Outras modalidades de publicações eram os documentos oficiais da igreja, como as atas dos concílios superiores (Sínodo a partir de 1888 e Assembléia Geral a partir de 1910), e relatórios pastorais.[22] Para maior clareza, o vasto número de livros produzidos no Brasil com a participação dos presbiterianos pode ser distribuído nas seguintes categorias:

3.2.1 Traduções da Bíblia

Auxiliado por Modesto Carvalhosa e por José Manoel Garcia, um professor do Colégio Pedro II, o Rev. Alexander Blackford produziu a “Versão Brasileira” do Novo Testamento (1879), publicada pela Sociedade de Literatura Religiosa e Moral, com sede na Igreja do Rio de Janeiro. Muitos anos depois, os Revs. John M. Kyle e John Rockwell Smith participaram da comissão interdenominacional que, de 1904 a 1914, sob os auspícios da Sociedade Bíblica Americana, preparou uma nova tradução da Bíblia, a Tradução Brasileira (1917).

3.2.2 Obras de controvérsia

Como era de se esperar, muitas publicações do presbiterianismo brasileiro tinham um tom apologético, refletindo o constante clima de confrontação com o catolicismo. Miguel Torres, o pastor pioneiro em Minas Gerais, escreveu A Igreja Romana à barra do evangelho e da história (1879), mais conhecido como À Barra do evangelho, no contexto da célebre “Questão Religiosa”, o conflito entre dois bispos do norte do Brasil e o governo imperial em torno da maçonaria. Também escreveu Vida de Jesus (1884), uma réplica à obra com o mesmo título do racionalista francês J. Ernest Renan. Seu opúsculo “A religião evangélica perante o público” foi publicado pela Junta de Publicações da Igreja do Norte e teve grande aceitação. Seu colega Antônio Pedro de Cerqueira Leite escreveu As Bíblias falsificadas (1882), uma série de artigos em resposta a uma pastoral do arcebispo da Bahia escrita vinte anos antes e mais tarde reproduzida em um jornal católico do interior de São Paulo. O ex-padre Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva escreveu a obra A burla católica romana ou o flagelo legal da sociedade (1888), que mais tarde foi publicada por seu filho em nova edição, com o título O catolicismo romano ou a velha e fatal ilusão da sociedade (1932). O missionário madeirense João Fernandes Dagama escreveu Perseguição dos calvinistas da Madeira: subsídio para a história das perseguições religiosas (1896).

Outro grande polemista foi o Rev. Eduardo Carlos Pereira. Além de diversos livros e opúsculos sobre as lutas eclesiásticas da época, escreveu O problema religioso da América Latina (1920), uma reação às propostas de aproximação do catolicismo surgidas no Congresso do Panamá, em 1916. O sacerdote jesuíta Leonel Franca fez extensas pesquisas no Vaticano para produzir uma resposta a essa obra, à qual deu o título A Igreja, a Reforma e a civilização (1923).[23] Esta por sua vez foi contestada pelo pastor, engenheiro e escritor paranaense Ernesto Luiz de Oliveira em seu livro Roma, a Igreja e o Anticristo (1931),[24] e pelo engenheiro e pastor Lisânias de Cerqueira Leite, com seu livro Protestantismo e romanismo (dois volumes, 1936 e 1938). Na década de 1930, sob o pseudônimo Frederico Hansen, Otoniel Mota também escreveu vários opúsculos contra o padre Leonel Franca. Em 1928, o Rev. Matatias Gomes dos Santos publicou o livreto Bispos e pastorais ou A conquista do Brasil pelos norte-americanos.

Possivelmente o maior polemista dos primeiros tempos do presbiterianismo nacional foi o Rev. Álvaro Reis, pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Alguns exemplos da sua atividade literária foram Origens caldaicas da Bíblia (1893), fruto de uma polêmica sobre a origem das Escrituras travada pelos jornais com um advogado de Campinas, e Cartas a um doutor espírita (1894), resultante de uma polêmica com um kardecista de Lavras. A participação do padre José de Anchieta na execução do calvinista Jacques Le Balleur foi objeto de alguns estudos, tais como José de Anchieta à luz da história pátria; Anchieta, o carrasco de Bolés e O mártir Le Balleur (1917). Outros escritos de controvérsia de sua lavra foram: O casamento religioso, Refutação da sexta conferência do padre Júlio Maria, Os irmãos da bendita virgem Maria, Reencarnação e regeneração, As conferências do padre Júlio Maria: refutação, Mimetismo católico (polêmica com Carlos Pimenta de Laet, da Academia Brasileira de Letras), As conferências do padre Júlio Maria sobre a segunda vinda de Cristo: refutação, O cálice eucarístico e O espiritismo.[25] 

3.2.3 Estudos bíblicos

Vários missionários americanos deram contribuições nessa área. O Rev. George E. Henderlite, um dos fundadores do Seminário Presbiteriano do Norte, publicou comentários sobre Romanos, Gálatas, Efésios, Filipenses, 1 João e Apocalipse, além de folhetos sobre o batismo e outros temas. Também escreveu O premilenismo ensinado no Evangelho segundo Mateus (1921). Thomas J. Porter, professor do Seminário do Sul, escreveu vários livros sobre análise bíblica e temas doutrinários, em estilo não muito fácil de ler, alguns deles utilizando o material de suas aulas. Também produziu opúsculos e folhetos. Filipe Landes, que também lecionou no Seminário de Campinas, escreveu as conhecidas obras Estudos bíblicos sobre o batismo (1938) e Estudos bíblicos sobre o batismo de crianças (1947), que foram objeto de diversas edições. Também merecem destaque os vários volumes do Livro do Professor (1921-1928), preparados pelo ilustre Rev. Erasmo Braga, contendo valioso material bíblico e didático para as escolas dominicais.

3.2.4 Estudos históricos

Um dos primeiros historiadores nos arraiais presbiterianos foi o major Augusto Fausto de Souza, que publicou na Imprensa Evangélica uma valiosa série intitulada “Ex-padre José Manoel da Conceição” (1884), a primeira biografia desse importante personagem. Antônio Bandeira Trajano deu uma contribuição relevante com o seu “Esboço histórico da Igreja Evangélica Presbiteriana” (1902). O maior historiador evangélico brasileiro de sua geração foi sem dúvida Vicente Themudo Lessa. Ele era um grande colecionador de panfletos e jornais evangélicos, dos quais reuniu mais de 400 títulos. Entre seus muitos escritos históricos estão Ecos da Boêmia; As guerras hussitas; O evangelho na Borda da Mata; Jan Amós Komensky; Anchieta e o suplício de Balleur; Padre José Manoel da Conceição; Maurício de Nassau, o brasileiro; Calvino, sua vida e sua obra; Lutero e especialmente o seu opus magnum, Anais da 1ª Igreja Presbiteriana de São Paulo. Erasmo Braga escreveu um conhecido livro sobre o Congresso Evangélico do Panamá, Pan-americanismo: aspecto religioso (1916), igualmente valioso do ponto de vista histórico.[26]

O presbítero Domingos Ribeiro deu uma importante contribuição ao publicar em 1917 a história dos mártires calvinistas do Brasil (A tragédia da Guanabara). Também escreveu Origens do evangelismo brasileiro (1937), sobre a presença dos reformados franceses e holandeses no início da história do Brasil. Abordando a mesma temática, Laércio Caldeira de Andrada escreveu A igreja dos fiéis (1947). Herculano de Gouvêa destacou-se como biógrafo, tendo escrito opúsculos sobre muitos pioneiros do presbiterianismo nacional, tais como Antônio José dos Santos Neves, Edward Lane, Flamínio Rodrigues, João Fernandes Dagama e Mary Parker Dascomb. Bento Ferraz publicou em 1941 sua pitoresca Autobiografia. Outros autores que deram valiosas contribuições nesse gênero foram: Margarida Sydenstricker, com Carlota Kemper (1941); Boanerges Ribeiro, com O apóstolo dos pés sangrentos (1943) e O padre protestante (1948); Maria de Melo Chaves, com Bandeirantes da fé (1947); e Júlio Andrade Ferreira, com O apóstolo de Caldas (1948) e Galeria evangélica (1952).

3.2.5 Obras inspirativas

Um dos autores mais prolíficos do período em questão foi o Rev. Miguel Rizzo Júnior, pastor da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, considerado o pregador mais eloqüente da sua geração. Seus livros são coletâneas de reflexões edificantes sobre uma grande variedade de temas bíblicos, muitas vezes entremeadas de vívidas historietas e ilustrações. Os textos não possuíam interesse proselitista e evitavam questões dogmáticas. Os primeiros foram os seguintes: Varão de dores (1931), Manto de púrpura (1939), Cântaro abandonado (1944) e Religião (1948). Posteriormente seriam lançados: Prece divinal, Além do véu, Sozinha, Derrotas e vitórias, Lendas e fatos, Religião cristã, Irradiações, Realidades espirituais, Esboços de sermões, Defeitos da vontade, A personalidade, Jesus Cristo, Respigando, As três virtudes, Cristianismo positivo, Semeadura do entardecer e Facetas da personalidade, além de muitos folhetos e opúsculos.[27] Essas obras, muitas delas publicadas pela União Cultural Editora, resultaram das pregações do Rev. Rizzo no púlpito da Igreja Unida, nos seus programas radiofônicos e nas famosas conferências promovidas pelo Instituto de Cultura Religiosa.

3.2.6 Hinódia e liturgia

A maior contribuição do Rev. Modesto Carvalhosa foi o valioso Manual do Culto (1874), destinado primordialmente aos pregadores leigos, que alcançou muitas edições. Uma das maiores necessidades das primeiras igrejas eram hinos em português e recursos para o culto. Assim sendo, vários missionários e pastores se dedicaram a essa tarefa. James Theodore Houston organizou Nova coleção de hinos e cânticos sagrados para uso da igreja evangélica (1881), um dos primeiros hinários usados pelas igrejas brasileiras. O Rev. John Boyle publicou Hinos evangélicos e cânticos sagrados (1888), com mais de 600 composições. Alguns personagens que se destacaram como autores de hinos foram José Manoel da Conceição, Antônio José dos Santos Neves, Manoel Antônio de Menezes, Otoniel Mota, Salomão Ferraz, Jerônimo Gueiros, Natanael Emmerich e João Marques da Mota Sobrinho.

3.2.7 Obras didáticas e acadêmicas

Em 1898, o Rev. George Chamberlain editou Harpa de Israel, uma tradução dos salmos a partir do hebraico feita pelo ex-sacerdote Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva, então professor do Mackenzie College. Santos Saraiva, que se converteu à fé evangélica, mas não ingressou formalmente na igreja, também produziu um importante Dicionário latino que continua sendo publicado até hoje. Erasmo Braga, quando jovem professor do Mackenzie, publicou o seu trabalho de estréia na área acadêmica, Glossário hebreu-português (1902). Em 1948, o Rev. Guilherme Kerr, professor de hebraico e literatura do Antigo Testamento no Seminário do Sul, em Campinas, publicou sua Gramática elementar da língua hebraica, impressa nos Estados Unidos.

Vários autores presbiterianos se notabilizaram pelos seus livros didáticos. São eles: Antônio Bandeira Trajano, com suas obras Aritmética primária, Aritmética elementar, Aritmética progressiva e Álgebra elementar; Modesto Carvalhosa, com Lições práticas de escrituração mercantil,[28] e Eduardo Carlos Pereira, com sua famosa série de gramáticas para os cursos médio e superior (Gramática expositiva – curso elementar, Gramática expositiva – curso superior e Gramática histórica), o que o levou a ser considerado um dos sistematizadores do ensino da língua portuguesa. Erasmo Braga produziu a Série Braga, um conjunto de quatro livros de leitura para a escola primária, que alcançaram mais de cem edições e foram utilizados em todo o Brasil.[29] Otoniel Mota também contribuiu com algumas obras úteis nessa área, tais como O meu idioma, Lições de Português e um comentário do poema Os Lusíadas.[30]

3.2.8 Obras literárias

O primeiro escritor de renome nacional ligado à igreja presbiteriana brasileira foi Júlio César Ribeiro (1845-1890), um dos antigos professores da Escola Americana, bem como destacado filólogo, gramático e jornalista. A principal obra em que transparecem suas idéias evangélicas foi o belo romance histórico Padre Belchior de Pontes, sobre a Guerra dos Emboabas, em Minas Gerais. Após deixar a igreja, ele escreveu o romance naturalista A carne (1888), notório por sua atitude cínica e pessimista diante da vida.[31] O Rev. Herculano de Gouvêa fez breves incursões na área da literatura através de seus opúsculos Do alto da serra (impressões da mocidade) e Conto e escritos (contos sertanejos). Ernesto Luiz de Oliveira revelou a sua veia cômica no livro De roldão e de gangão (1929), no qual se apresenta como criador de porcos e membro da Academia Paranaense de Letras.

O Rev. Otoniel de Campos Mota foi diretor da Biblioteca Pública do Estado de São Paulo e professor de literatura luso-brasileira e filologia portuguesa na Universidade de São Paulo.[32] Ocupou a cadeira nº 17 da Academia Paulista de Letras, que tem como patrono Júlio Ribeiro. Escreveu o livro de contos Selvas e choças, em que abordou a vida do sertanejo brasileiro, que conheceu de perto durante o seu primeiro pastorado, em Santa Cruz do Rio Pardo. Outras obras de sua autoria foram o romance evangélico Amor que santifica (sob o pseudônimo Bar Joseph), o estudo sociológico Perdeganha e o ensaio histórico Do rancho ao palácio, sobre a evolução da civilização paulista.[33]

Uma personagem deveras interessante foi Maria Paes de Barros, antigo membro da Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo e ligada a uma das famílias mais tradicionais da capital paulista. Já idosa, ela escreveu uma História do Brasil (1932), que lhe granjeou o título de membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Mais tarde, quase centenária, publicou No tempo de dantes (1946), um livro de memórias da sua infância, prefaciado por Monteiro Lobato, do qual foi publicada uma nova edição em 1998. Todavia, o escritor brasileiro de raízes presbiterianas que adquiriu maior notoriedade foi Orígenes Lessa (1903-1986), filho do Rev. Vicente Themudo Lessa. Ele inicialmente pensou em ser pastor, mas depois seguiu a carreira jornalística. Escreveu romances, novelas, peças teatrais, literatura infanto-juvenil, história, crítica e impressões de viagem.[34] Sua obra mais famosa é o premiado romance O feijão e o sonho (1938), que mais tarde foi adaptado para a televisão.

Um nome que representava uma grande promessa foi o jovem pastor Paulo Lício Rizzo (1922-1957), filho do Rev. Miguel Rizzo Júnior. Aos 20 anos, escreveu em dez dias o romance Pedro Maneta (1942), com o qual tirou o primeiro lugar em um concurso nacional instituído pelo Ministério do Trabalho, recebendo o prêmio das mãos do presidente Getúlio Vargas. Faziam parte da comissão julgadora José Lins do Rego, Hermes Lima, Viriato Corrêa e Henrique Pongetti, entre outros. O romance, publicado pela Imprensa Nacional, é uma história real que se passa numa fábrica do bairro da Mooca, em São Paulo, e revela a grande paixão do autor – o problema social dos trabalhadores. Com essa obra, Paulo consagrou-se como um dos melhores escritores novos do Brasil. Ao falecer aos 34 anos, deixou alguns trabalhos inéditos: dois estudos sobre Joaquim Nabuco e os romances “Duas cruzes e um cifrão”, “Manquejando para a glória” (sobre Byron), “Antes que a noite desça” e “Bebedouro dos diabos”.[35]

4. AVALIAÇÃO

O levantamento apresentado neste artigo, que de modo algum pretende ser exaustivo, revela como foi intensa e variada a produção editorial dos presbiterianos brasileiros até meados do século 20. Essa produção é reveladora das principais ênfases e preocupações do novo corpo religioso que se inseria na sociedade brasileira. Fica claro que, desde o início, a necessidade de legitimação determinou boa parte do material publicado. O protestantismo era um movimento de origem estrangeira, anglo-saxônica, que buscava espaço num país de tradição latina e católica romana. O fato de que o Brasil era, há séculos, um país nominalmente cristão, tornava imperioso que os novos grupos justificassem sua presença no país. Daí o fato de grande parte das publicações ter o intuito de demonstrar as debilidades da religião majoritária e os valores tidos como superiores, tanto religiosos quanto éticos, das igrejas evangélicas. Essa mentalidade era partilhada pelos presbiterianos.

Tal atitude de confrontação com o catolicismo foi trazida pelos missionários norte-americanos, visto que no século 19, em virtude do aumento acelerado da chegada de imigrantes vindos de países católicos, o mesmo tipo de tensão se verificava nos Estados Unidos. No Brasil essa característica foi reforçada pela situação das igrejas evangélicas, um grupo minoritário e periférico que se sentia hostilizado pela religião dominante, detentora de todas as regalias. Seja como for, o fato é que a estratégia teve êxito. Através de suas pregações e de seus escritos, fortemente marcados pela polêmica religiosa, os presbiterianos e outros grupos conseguiram um grande número de adeptos, muitos deles vindos do catolicismo e desiludidos com as deficiências da sua igreja de origem. O problema, como tem sido apontado por diversos estudiosos, é que essa atitude beligerante, associada a uma forte rejeição de muitos aspectos da cultura brasileira, criou um distanciamento entre as novas igrejas e a sociedade em que estavam inseridas.

Ao mesmo tempo, percebe-se que uma parte considerável das publicações arroladas neste artigo teve propósitos construtivos, como o atendimento de necessidades internas da igreja nas áreas da pregação, liturgia, educação cristã e estudo da Bíblia. Um grande divisor de águas foi a década de 1920, possivelmente em virtude da influência de homens como Erasmo Braga e posteriormente Miguel Rizzo Júnior, que estimularam uma atitude mais irênica e positiva nos contatos da igreja com a sociedade. Como foi visto, ainda houve muita polêmica religiosa nos anos 30, mas a atitude dominante passou a sofrer uma mudança gradual, pois os presbiterianos perceberam que não precisavam justificar a sua existência e a sua identidade exclusivamente no confronto com a religiosidade tradicional.

À medida que se aproximava a metade do século 20, as contribuições editoriais dos presbiterianos se tornaram marcantes em muitas áreas, como os estudos históricos e sociológicos. Nas revistas da época, muitos dos homens e mulheres mais cultos da igreja abordaram de modo competente as grandes questões intelectuais, políticas e sociais de então, desde uma perspectiva cristã e evangélica. Houve o esforço deliberado de demonstrar que os presbiterianos queriam participar plenamente dos diferentes aspectos da sociedade brasileira. Várias décadas haveriam de transcorrer até que novamente surgissem publicações com a qualidade e a profundidade desses periódicos da primeira metade do século 20.

Em um estudo clássico sobre o protestantismo brasileiro, o professor Antônio Gouvêa Mendonça, recentemente falecido, argumenta que a necessidade de explanação da Bíblia teria sido responsável pelo único meio através do qual o protestantismo pode mostrar sua presença na cultura brasileira. Ele afirma que o conhecimento das línguas bíblicas, bem como a prática da exegese e da hermenêutica sobre os textos sagrados, contribuiu para o surgimento de filólogos e gramáticos conhecidos.[36] Embora essa avaliação seja correta, trata-se de uma contribuição de grande importância por parte de um grupo tão pequeno. Através dos seus compêndios escolares, assim como de suas instituições educacionais, os presbiterianos exerceram uma influência considerável, embora difícil de quantificar, sobre um grande número de brasileiros ao longo de muitas décadas.

É fato conhecido que a presença protestante em muitos aspectos da cultura brasileira – como a música, as artes plásticas, o teatro e o cinema – é quase inexistente. Uma área que parecia talhada para os presbiterianos, em virtude de sua predileção pela palavra escrita e falada, era a literatura. Todavia, mesmo aí a produção se mostrou escassa e pouco influente. Como foi visto, houve o surgimento de literatos de algum renome, mas certos fatores limitaram as suas contribuições: alguns, embora talentosos, fizeram incursões literárias muito tímidas, não chegando a escrever obras de grande vulto; outros escreveram obras expressivas, mas que se mantiveram dentro dos limites da literatura especificamente religiosa; finalmente, outros ainda foram notáveis escritores e trataram dos grandes temas da literatura mundial e nacional, mas as suas obras não revelaram uma visão de mundo nitidamente evangélica e reformada.

Espera-se que os tópicos e personagens deste levantamento estimulem o surgimento de pesquisas e estudos em profundidade sobre essa manifestação significativa do presbiterianismo brasileiro. Mais ainda, espera-se que os membros dessa igreja histórica, que se aproxima do seu sesquicentenário em terras brasileiras, se sintam estimulados a exercer os seus pendores literários com seriedade e competência, produzindo uma literatura criativa, sintonizada com a cultura, as tradições e os desafios enfrentados pelo país, mas ao mesmo tempo marcada, ainda que implicitamente, pelas convicções e valores da fé reformada.

ABSTRACT

The Protestant Reformation happened in the wake of the invention of the printing press and the huge editorial output that was brought about by this technological breakthrough. The reformers managed to utilize this effective tool in order to spread their ideas among their coreligionists and the wider public. Their example created a tradition of emphasis on literature that was transmitted to their successors. Influenced by this mindset, Brazilian Presbyterians since the beginning invested in the publication of literature as a means to spread their movement and press home their proposals. This article seeks to present an overview of the literary output of this group in Brazil, in three general areas: newspapers, magazines, and books. The article concludes with an analysis of the significance, limitations, and possibilities of this effort.

KEYWORDS

Brazilian Presbyterians; Literature; Publications; Newspapers; Magazines; Books.


* O autor é ministro presbiteriano, professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e historiador da Igreja Presbiteriana do Brasil.

[
1] SIMONTON, Ashbel G. O diário de Simonton: 1852-1866. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 168. Os dois auxiliares mencionados eram o poeta e compositor Antônio José dos Santos Neves (1827-1874) e Domingos Manoel de Oliveira Quintana, um participante dos cultos da Igreja do Rio. Simonton menciona a Imprensa Evangélica somente duas outras vezes em seu diário, nos dias 26.11.1864 (p. 169) e em 31.12.1866 (p. 173).

[2] Para informações diversas sobre a Imprensa Evangélica, ver LESSA, Vicente Themudo. Anais da 1ª Igreja Presbiteriana de São Paulo (1863-1903). São Paulo, 1938, p. 173, 354, 371s, 397s.

[3] RIBEIRO, Boanerges. Protestantismo e cultura brasileira. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1981, p. 100.

[4] Ibid., p. 101. Muitos dados desta seção foram retirados dessa valiosa obra de Boanerges Ribeiro (ver págs. 96-101).

[5] Ver LESSA, Anais, p. 102.

[6] Sobre esse periódico, ver MATOS, Alderi Souza de. A pregação dos pioneiros presbiterianos no Brasil: uma análise preliminar. Fides Reformata IX:2 (2004), p. 66-68.

[7] RIBEIRO, Protestantismo e cultura brasileira, p. 105. Em Rio Grande, Vanorden também publicou a partir de 1877 um periódico mensal em inglês, The Brazilian Christian Herald (O Arauto Cristão Brasileiro), para divulgar o seu trabalho entre os colaboradores estrangeiros.

[8] Mais tarde o periódico voltou a ser publicado por outros missionários, tendo circulado pelo menos até a década de 1970.

[9] Ver LESSA, Anais, p. 126.

[10] Ibid., p. 281s.

[11] O Rev. Vicente Themudo Lessa publicou na Revista de Cultura Religiosa uma valiosa série de artigos, sob o título “Anais da Imprensa Evangélica Brasileira”, sobre os primeiros periódicos evangélicos do Brasil. A série tem início no Vol. III-2 (março-abril de 1925), prosseguindo por muitos números dessa publicação. Os artigos abrangem boa parte dos estados da Federação, começando pela Amazônia e indo até o Espírito Santo. Sobre a imprensa presbiteriana, ver também FERREIRA, Júlio Andrade. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. 2 vols. 2 ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, Vol. I, p. 49-52, 168-170, 375-381, 555-558, 563-567; Vol. II, p. 246-250, 309-313.

[12] Jorge César Mota foi um dos fundadores da revista Biblos.

[13] Apêndice de SIMONTON, O diário de Simonton, p. 181.

[14] Por volta de 1900, o Rev. Horace S. Allyn, missionário da Igreja do Sul, fundou em São João Del Rei uma “Casa Editora Presbiteriana”, depois transferida para o Rio de Janeiro. Todavia, a editora oficial da denominação, com o mesmo nome, só iria surgir em oficialmente em 1948, sob a liderança do Rev. Boanerges Ribeiro. Ver FERREIRA, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, Vol. II, p. 417-19.

[15] A primeira obra foi traduzida pelo Rev. Francis J. C. Schneider e publicada em Lisboa em 1895. As duas últimas, traduzidos pelo Rev. Modesto Carvalhosa, foram enfeixados num volume publicado em Lisboa em 1909, “por ocasião do 50º aniversário do trabalho presbiteriano no Brasil”.

[16] Sobre Vanorden, ver RIBEIRO, Boanerges. A Igreja Presbiteriana do Brasil, da autonomia ao cisma. São Paulo: O Semeador, 1987, p. 263-68.

[17] Seu nome foi dado à biblioteca do Seminário Presbiteriano de Campinas em 1925.

[18] Ver RIBEIRO, Protestantismo e cultura brasileira, p. 107.

[19] Ver RIBEIRO, Boanerges. Igreja evangélica e República brasileira (1889-1930). São Paulo: O Semeador, 1991, p. 265-270.

[20] Ibid., p. 271s.

[21] Em 2008, como parte das comemorações do sesquicentenário da Igreja Presbiteriana do Brasil, a Editora Cultura Cristã irá lançar uma nova edição desse clássico há muito esgotado.

[22] Dois bons exemplos são os relatórios dos Revs. Álvaro Reis e Aníbal Nora.

[23] Ver RIBEIRO, Igreja evangélica e República brasileira, p. 272s.

[24] Curiosamente, o editor do livro de Ernesto de Oliveira enviou um exemplar ao papa e mais tarde teve a surpresa de receber um comunicado oficial do Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Eugenio Pacelli (futuro papa Pio XII), mediante o qual o pontífice agradecia o presente e lhe enviava a sua bênção apostólica. Um pouco antes, o próprio autor havia recebido uma correspondência da Biblioteca do Vaticano, igualmente agradecendo pelo livro e afirmando que seria de grande utilidade para os estudiosos que a freqüentavam. Uma das primeiras obras de Ernesto de Oliveira foi O sílabo, o evangelho e o Estado (São Paulo, 1901).

[25] Ibid., p. 273-77. Nessa e em outras áreas, deram contribuições no Nordeste os Revs. Jerônimo Gueiros (membro da Academia Pernambucana de Letras) e Natanael Cortez (membro da Academia Cearense de Letras); no Sul, Aníbal Nora e Júlio Camargo Nogueira, entre outros.

[26] Esse autor escreveu outro importante livro sobre o protestantismo brasileiro, publicado em 1932 e até hoje não traduzido para o português: The Republic of Brazil: a survey of the religious situation (A República do Brasil: um levantamento da situação religiosa).

[27] Ver GONÇALVES, Joaquim Rodrigues. Miguel Rizzo Jr., aquém do véu. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991, p. 135s.

[28] Em 2006, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e o Instituto Presbiteriano Mackenzie publicaram um fac-símile da 5ª edição dessa obra (1918).

[29] Sobre essa série, ver MASSOTTI, Roseli de Almeida. Erasmo Braga e os valores protestantes na educação brasileira. Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Ciências da Religião, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007.

[30] Sobre esses e outros livros didáticos, ver LAGUNA, Shirley Puccia. Uma leitura dos livros de leitura da Escola Americana de São Paulo (1889-1933). Tese de doutorado em Educação: História, Política e Sociedade, PUC, São Paulo, 2003.

[31] Ver LESSA, Anais, p. 78s. Júlio Ribeiro escreveu muitas outras obras, em diversos gêneros literários.

[32] Dois colegas presbiterianos de Otoniel Mota, também brilhantes filólogos e professores da USP, foram Teodoro Henrique Maurer Jr. (1906-1979) e Isaac Nicolau Salum (1913-1993).

[33] MELO, Luís Correia de. Dicionário de autores paulistas. São Paulo: Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, 1954, p. 408.

[34] Ibid., p. 304s.

[35] Ver BRETONES, Lauro. Paulo Lício Rizzo. Unitas, Nº 4, Vol. XIX (abril de 1957), p. 7s. Bebedouro dos diabos foi publicado em 1962 pela Editora Rizzo.

[36] MENDONÇA, Antônio Gouvêa. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Pendão Real, Aste e Ciências da Religião, 1995, p. 205.


 
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